quinta-feira, 23 de março de 2017

ACMA: 5 Maneiras de Aproveitar a Primavera


ACMA


Tal como no mês passado, hoje estou de volta com a minha publicação para o ACMA e venho dar-vos algumas ideias de como aproveitar os próximos dias.

Chegou, finalmente, a altura do ano por que tanto esperava: a Primavera! Não é surpresa o meu gosto por esta estação e cada vez me vejo mais entusiasmada para os 92 dias que se seguem (bom, agora só serão 89!) e para aquilo que quero fazer de modo a aproveitar esta que é, para mim, a mais bela estação do ano.

Tenho imensas ideias e, tal como fiz no ano passado, pretendo dar vida a todas, de modo a alegrar a minha vida com um pouco do que é a Primavera e, por isso, hoje tenho para vocês 5 maneiras de aproveitar a Primavera.

Infelizmente, esta estação não significa férias, apesar do termo Spring Break, utilizado nos Estados Unidos, e, por isso, tem que se encontrar o equilíbrio ideal entre aproveitar para fazer aquilo que se pode fazer e aquilo que temos realmente que fazer – ou seja, ir às aulas ou trabalhar. No entanto, estas são pequenas coisas que se podem enquadrar em qualquer parte livre do dia! Tudo pronto? Aqui vamos nós!

 
ORGANIZA O TEU QUARTO

Pode parecer chato, mas esta é a melhor altura do ano para limpar e organizar a nossa casa e o quarto, apesar de sofrer grandes alterações durante todo o ano, não é exceção. Há sempre alguma coisa a fazer: mudar os móveis de sítio, deitar fora (ou dar, ou vender!) coisas que já não façam falta, como peças de roupa ou livros, doar todos os brinquedos guardados nas caixas, pendurar fotos nas paredes ou até mesmo trocar a colcha da cama por uma mais clara e fina, de modo a dar uma outra vida ao espaço no qual passamos a maior parte do nosso tempo.
 

FAZ UM PIQUENIQUE

Portugal tem locais lindos para passar uma tarde sentados na relva, a olhar para uma paisagem fantástica, e fazer um piquenique é uma das melhores maneiras de almoçar ou ter um pequeno lanche com amigos ou família. Porém, no nosso país, com muita pena minha, não é um hábito. O que por aí não faltam são sítios bonitos com montes de flores e lagos, onde se passa um bom tempo, com aqueles que nos são mais queridos e, se juntar comida, então ainda melhor! A meteorologia diz para sair de casa, de que é que estás à espera?!

 
PRATICA EXERCÍCIO

Faça sol ou faça chuva, a verdade é que nunca está demasiado calor ou demasiado frio durante a Primavera, o que torna a temperatura ambiente ideal para praticar algum exercício, quer seja escondido em casa ou ao ar livre – ou num ginásio, mas quem é que tem dinheiro para isso hoje em dia e porquê fazê-lo quando está um dia tão bonito lá fora?! Dar uma corridinha ou uma caminhada ao fim da tarde é uma boa maneira de acabar o dia e acaba por ser uma atividade que, além de melhorar a saúde física do nosso corpo, também melhora a nossa saúde mental, deixando--nos mais relaxados e tranquilos.

 
LÊ UM LIVRO

Há quem adore ler, quem não goste muito e quem odeie, mas esta é uma das melhores maneiras de passar uma tarde de forma serena. Encontra um sítio bonito, sem muito movimento e que tenha (maioritariamente) sons da natureza, pega num livro que te pareça interessante e vais ver que, momentos depois, te vais sentir diferente – um bom diferente.

O ano passado, juntei alguns dos meus cadernos, peguei no meu telemóvel e nos fones e fui até um lago, onde me sentei a escrever, tanto no meu diário como pequenas histórias que me passavam pela cabeça e notei uma grande diferença no meu estado de espírito; talvez seja algo mais pessoal, mas a natureza faz bem à nossa mente e é algo com o qual nos deveríamos preocupar mais em rodearmo-nos.


FOTOGRAFIA

Todas as estações do ano têm a sua magia e, com a sua chegada, vem sempre algo fantástico e brilhante que vale a pena fotografar e a Primavera não é exceção. Para quem gosta de fotografar, esta é a altura perfeita para o fazer e as razões são óbvias e estão à frente de todos. É nestes meses que se vêm campos enormes, cheios de flores, em que as árvores se encontram mais bonitas e o que não há de faltar no céu são andorinhas e outras espécies de pássaros a cantarolar, felizes da vida.
 

Mas há tanto mais que podes fazer na Primavera: dá um passeio de bicicleta, alimenta os pombos e peixes da tua cidade, torna-te uma melhor pessoa, aventura-te, faz uma viagem, mesmo que seja só por um fim de semana, apaixona-te, aproveita, vai a festivais, conhece gente nova, deixa para trás os rancores e vive ao máximo! A Primavera são 92 dias, mas a tua vida são muitos mais!

E, quem sabe, nesta Primavera podes até mesmo juntar-te ao projeto A Cultura Mora Aqui, sendo que tu próprio/a podes expressar tudo aquilo que tens para dizer acerca dos temas culturais que são lançados todos os meses (exceto tópicos relacionados com moda ou beleza!); qualquer blogger/youtuber pode participar, basta enviar um e-mail para o acma.cultura@gmail.com.

Visitem também a página do Facebook e as publicações dos outros participantes, não se vão arrepender!

sábado, 18 de março de 2017

LOOKING THROUGH PEOPLE


Olá a todos, para (não) variar e apesar de ultimamente não ter tempo para fazer nada, juntei-me a outro projeto! LOOKING THROUGH PEOPLE tem como objetivo dar-vos a conhecer um pouco mais sobre os vossos bloggers e youtubers favoritos, através de uma entrevista.

Tive a oportunidade de falar com a Joana Isabel ou, como todos a conhecem, a Ju do Cor Sem Fim. Este post vai acabar por parecer um pouco mais uma conversa do que propriamente uma entrevista, pois foi isso que nós fizemos, de modo a que as questões e respostas surgissem naturalmente e não de uma forma forçada.

LOOKING

A Joana tem 20 anos, é de Portalegre, está a estudar Design e Animação Multimédia, e foi ela mesma que criou o projeto ACMA, que muitos de vocês devem conhecer. Tem o seu blog desde 2014, e têm visto-o crescer ao longo dos anos com muito carinho.

Começámos assim a nossa conversa e, a primeira coisa que lhe perguntei foi relacionada com o seu curso e a razão da sua escolha, à qual ela me respondeu que “queria ir para Arquitetura (foi o que sempre quis, desde pequenina)” mas que é muito nervosa e ansiosa e não se sentia capaz de sair dali; não queria parar de estudar e por isso procurou os cursos que poderia tirar em Portalegre e que se adequassem mais a si.

Nesta linha de conversa sobre empregos e aquilo que realmente gostávamos de fazer, descobri também que o um dos seus sonhos, relacionados com emprego, seria abrir uma pastelaria que ela mesmo tivesse projetado em Londres, “fora isso, uma coisa mais realizável, web design e produção de cinema.” Achei imensa piada à sua ideia de abrir uma pastelaria, até porque eu mesma penso nisso de vez em quando. Vocês sabiam que a Ju costumava fazer e vender bolachas? Pois é, “fazia bolachas de manteiga, e algumas invenções. Punha nutella, pepitas de chocolate, pedaços de noz, etc.” Também já tentou fazer cupcakes mas (tal como a mim) não lhe correu muito bem. No entanto continua a gostar de bolos, claro; quando era pequena adorava o bolo de chocolate da mãe, agora gosta imenso do bolo de iogurte e do de cenoura. Entretanto começou “a fazer outras coisas, coroas de flores, ursinhos de peluche e a vender livros usados."

Aconselhei-a a criar uma espécie de blog e a voltar a vender as suas bolachas e, conversa vai conversa vem, acabei por lhe perguntar aquilo que todos gostaríamos de saber. “Porque criaste o blog?”

“Eu comecei o Cor Sem Fim no verão de 2014. Todos os verões decidia fazer alguma coisa diferente e nesse verão decidi que ia começar a escrever para um blog. Foi quando terminei o 12º ano e ia começar o primeiro da universidade, ia separar-me de imensa gente, ia deixar de estar na escola que já me era familiar. Estava numa altura de escolhas, de decisões, de receios e quis trazer cor à minha vida. Eu já tinha tido dois blogs antes: um em que falava dos meus desenhos (acho que tem uns dois posts) e outro onde tinha desabafos. Comecei o Cor Sem Fim enquanto anónima, pois não queria que NINGUÉM soubesse quem eu era e o que escrevia. Fiz um plano com rubricas, tinha imensa pesquisa feita, tinha tudo delineado... e não consegui cumprir” (risos).

Com a curiosidade a chamar por mim, perguntei se já alguma vez tinha pensado em desistir do blog, talvez por falta de tempo, assuntos ou até mesmo de paciência, mas a Joana tem sempre assuntos para falar; no entanto por vezes desmotiva sem razão aparente e já chegou mesmo a pensar desistir do blog. “Às vezes tento fazer planos para ser regular e quando não os consigo cumprir e isso manda-me um pouco abaixo também. E tenho imensas ideias e imensas coisas que quero fazer e que quero falar, mas sinto um aperto e não consigo fazer tudo ao mesmo tempo.”

A autora do Cor Sem Fim contou também que adorava declamar poemas, “Gostava de lhes dar vida, de os interpretar como se fossem mini peças de teatro, de os musicalizar (…) por volta do meu 8º ano (já os) escrevia. Sempre escrevi muito, então à mão... cheguei a escrever posts de blog à mão num caderno!” Porque é que gostas tanto de escrever à mão? “Tem um cunho pessoal, para mim. organizo-me melhor com as coisas espalhadas em cima da mesa do que todas dentro de um computador.” Para organizares coisas relacionadas com o ACMA, por exemplo, agora com tantos participantes também organizas tudo à mão? Sim, as datas estão todas na agenda. As datas, o nome da pessoa, o tema que cada um vai abordar... No início bastava fazer uma lista, mas começaram a ser tantos participantes que passei a usar o dia a dia.”

É verdade! De mês para mês o projeto parece continuar a crescer e todos os meses há sempre mais gente a querer juntar-se ao ACMA. Não pude deixar a oportunidade fugir, e tive que lhe perguntar se estava à espera que a sua ideia tivesse tanto sucesso, não só da parte dos participantes mas também dos leitores. Ela mostrou-se bastante impressionada e disse que ficou “imensamente feliz” quando começou a receber os primeiros e-mails, pois não fazia ideia que o projeto iria ter tanta adesão, e que a cada dia que passa é uma felicidade acordar com tantos e-mails de pessoas que acarinham o seu projeto. Pessoalmente, penso ter tido tanto sucesso devido à sua característica cultural e diferente, e a Ju pareceu concordar.

“E que mais é que te faz feliz?”
“Uma boa gargalhada. Às vezes as coisas mais simples, com desviar o cabelo dos olhos, ouvir a chuva antes de adormecer, beber um chá, comer uma bolacha muito lentamente, deixar um bolo desfazer-se na boca, olhar alguém que gostamos nos olhos e ver que essa pessoa está feliz ou quando o meu gato vem ter comigo.”

“Não te arrependes de nada? Se pudesses voltar atrás, mudavas alguma coisa?”
“Acho que não te devias arrepender de muita coisa. se assim não fosse, hoje não estavas onde estás e não eras quem és. Algo mudado no passado e eu poderia não estar aqui a falar contigo, poderias nunca ter criado o teu blog... já viste o que era? Claro que há pequeninas coisas que me arrependo, mas ajudaram-me a ser quem sou.... é complicado dizer-te mas acho que são poucas as que mudaria.”

Perguntei-lhe se, de todas as suas publicações, havia alguma assim em especial que gostasse mais ou alguma com a qual não estivesse muito contente, e ela disse-me que as entrevistas são, talvez, as mais pessoais assim como as das viagens.”

E tens alguma sugestão para alguém que esteja a pensar criar um blog?”
“Serem sinceros a si mesmos, acreditarem no que dizem, terem confiança no que escrevem e apaixonarem-se todos os dias pelo seu trabalho.”

Descobri também que os seus artistas e bandas preferidos/as são Hozier, The Lumineers, Ben Howard e que agora anda a ouvir The Strumbellas; que prefere o frio ao invés do calor; e que gosta imenso de viajar, mas não o faz muito devido à situação da “agrofobia” (sobre a qual podem ler mais aqui). Descobri isso e muitas outras coisas, então e vocês, impressionados?

Há muito sobre as pessoas além do seu blog e daquilo que nos dão a conhecer e, de certo que hoje aprenderam imenso sobre a Ju e aquilo que ela tem a dizer. Espero que tenham gostado e que vejam os blogs abaixo indicados e as respetivas entrevistas. Se quiserem saber um pouco mais sobre mim, podem também visitar o blog da Ju e ver a entrevista que ela me fez!
 

quarta-feira, 1 de março de 2017

Há Luz Na Cidade: Teolinda Gersão


Teolinda
Publicarei uma foto com melhor qualidade em breve


Seria natural que, com o final do mês de Fevereiro viesse um post sobre o Carnaval, mas como eu estava nas aulas durante o desfile na Praça Do Giraldo, no centro da cidade, e não fui a nenhuma festa, decidi trazer-vos uma Apresentação Literária que sucedeu na Universidade de Évora, com a presença da escritora Teolinda Gersão que, este ano, teve a honra de ganhar o prémio Virgílio Ferreira 2017.

Nesta conferência, que antecedeu a entrega do prémio, deu-se uma maior importância à sua obra Prantos, Amores e Outros Desvarios que contém vários contos interessantes e alguns confusos, como é o caso de Alice in Thunderland.

Esta pequena apresentação teve duração de uma hora e meia, e começou com algumas palavras da professora de Estudos Literários, Cristina Santos (que se encontra do lado esquerdo da fotografia), que partilhou a sua opinião sobre esta e outras obras da escritora, demonstrando um grande interesse pelas mesmas.

Mais tarde, foi a vez do professor Rui ler o conto Enredos que teve uma especial atenção durante toda a conferência, o qual expressa as palavras de uma mulher que conta a história dos vizinhos da frente, e em como a sua amiga Antónia foi deixada pelo marido, que fugiu com a empregada brasileira que sempre pareceu amigável demais. Foram feitas várias questões relacionadas com este mesmo conto, nas quais os espectadores demonstraram as suas dúvidas relacionadas com estereótipos (como o da mulher brasileira roubar maridos alheios, ou o de o homem não querer que a sua esposa se arranjasse para não atrair outros homens), algumas das quais talvez sejam a razão para um senhor ter saído a meio da apresentação, por não conseguir não reclamar pela menção de alguns homens serem possessivos e controladores, às quais a autora da obra respondeu sempre muito animada.

Quando foi finalmente a sua vez de falar, Teolinda Gersão disse estar então muito grata pelo convite que lhe foi feito, pois gostou de ter regressado à cidade de Évora, especialmente a uma Universidade, pois relembrou-a dos tempos em que ainda era professora. Em torno do conto, e como mencionado anteriormente, a escrito falou sobre o machismo e a insegurança que alguns homens possam ter, no ponto de vista em que exigem que as suas mulheres fiquem em casa e não tomem conta de si mesmas para que não se ponham demasiado bonitas, mas que ele possam fazer e ter quem eles queiram. Fala assim do adultério, da culpa e das consequências da traição, apresentando algumas obras conhecidas como exemplo, entre as quais uma de Eça de Queirós, que termina de um modo diferente e moderno.

Após algumas trocas de palavras, Teolinda Gersão contou uma pequena e divertida história, que tinha como ponto principal a vontade de ler e o facto de muitas vezes o fazermos quando não é apropriado e, no meio de tantas gargalhadas, a frase que, para mim, se destacou mais em toda aquela história, foi quando a escritora disse que "ler é como ir num túnel escuro e parar numa paragem iluminada", porque afinal de contas é isso mesmo que ler é, a procura de algo.